quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Falta água, médico e transporte em Igarassu.

Moradores estão revoltados com a situação e cobram providências do município.

 

Crianças ajudam os pais a levar água nos baldes até a residência em Nova Cruz II
Nathália Bormann/Folha de Pernambuco
Maria reclama de dores por conta das caminhadas
Nathália Bormann/Folha de Pernambuco

No dia da visita do FolhaPE à comunidade, dois homens trabalhavam no local realizando a limpeza do poço
  Insatisfação e revolta. As duas palavras refletem o atual sentimento dos moradores de Nova Cruz, situada na cidade de Igarassu, Região Metropolitana do Recife (RMR). Os problemas na comunidade são variados. Vão desde a precariedade no transporte público e passam pelo defasado sistema de saúde do município. Nas Unidades de Saúde da Família (USF) e no Hospital de Igarassu, faltam médicos, dentistas e equipamentos. As queixas, porém, não param por aí. Mais grave ainda são os 60 dias sem água em Nova Cruz II, que acarretam em sérios transtornos aos moradores e prejudicam os atendimentos nos postos de saúde.

Abastecimento de água, nas residências, só se for por meio de baldes e uma dose extra de disposição. “O caminhão-pipa não aparece por aqui há uns 20 dias”, reclama o morador Reginaldo José, 53. A solução, então, é se dirigir a uma das três caçimbas existentes na comunidade, ritual praticado todos os dias pelos habitantes da área. “Sorte” de quem mora perto de um dos reservatórios, sofrimento para quem reside afastado e ainda precisa enfrentar ladeiras para chegar até às caçimbas. Outra forma encontrada pelos moradores é destampar a caixa d’água de casa e rezar para que São Pedro mande chuva.

“Já quebrei um dedo da mão carregando o balde de água”, afirma a dona de casa Maria José de Lima, 45, que reside há mais de 20 anos no local. Ela também reclama de constantes dores na coluna e nas pernas por conta das longas caminhadas diárias. Segundo relatos dela e de outros moradores, não é a primeira vez que a falta de água aflige os residentes da região. O problema aconteceu também há cerca de dois anos, quando a comunidade chegou a ficar cerca de 9 meses sem abastecimento. “Estamos ao Deus nos dará. O pior é que ninguém dá satisfação”, lamenta Maria.

Além das cacimbas, há um poço de água dentro da escola João Santos Filho, em Nova Cruz II. No entanto, poucos se habilitam a pegar aquele líquido barrento. “Vou ter que subir mais de 60 degraus depois que encher os baldes”, disse um menino de apenas 10 anos, acompanhado do irmão e de um amigo. “Eles vieram aqui me ajudar”, completa. O problema tem revoltado os moradores, que ameaçam, inclusive, não pagar impostos. “Sempre paguei corretamente o IPTU, mas agora deixei de pagar. Só volto a quitar os débitos quando restabelecerem o abastecimento de água”, diz José Carlos, 63, morador da comunidade há seis anos.

O FolhaPE entrou em contato com a Prefeitura de Igarassu e relatou o problema da falta de água na área. A assessoria reconheceu as queixas dos moradores e informou que já estão sendo tomadas providências para sanar a questão.

Segundo a Secretaria de Viação e Obras, a falta de água na área é decorrente do serviço de revisão que está sendo feito no poço artesiano que abastece a comunidade. No dia da visita da equipe de reportagem à comunidade, dois homens trabalhavam no local realizando a limpeza do poço. De acordo com a Prefeitura, a previsão é que o serviço fosse normalizado até esta terça-feira. No entanto, até às 18h30 o problema ainda não havia sido resolvido.
Fonte: Folha pe.

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