sábado, 12 de outubro de 2013

Rodovia danificada.



  A BR 101 norte entre as cidades de Paulista, Abreu e Lima, Igarassu apresenta grande dificuldade de trafegabilidade devido aos buracos na rodovia. 

  Os motoristas e passageiros já perderam as contas de tantas reclamações e veículos danificados.

   Acredito que o Governo Federal esqueceu que neste pedaço do Brasil existem cidadãos. 

Do: Fernando Melo – Igarassu / PE

Estudantes protestam em frente a Prefeitura de Paulista.

Os manifestantes pediram a aprovação do passe livre.

  Cerca de 25 estudantes mascarados ocuparam, no final da tarde desta quinta-feira (10), a frente da Prefeitura do município do Paulista, situada na Região Metropolitana do Recife. O objetivo do manifesto era pedir a aprovação projeto que fornece o passe livre no local. A assessoria de comunicação da Prefeitura informou que o protesto foi pacífico e durou cerca de 20 minutos. 
  Ainda segundo o órgão, a manifestação aconteceu porque nesta quinta aconteceu uma plenária com os vereadores da cidade. A Polícia Militar estava ciente da manifestação, mas não recebeu nenhum chamado. 

Do: G1/Pe.

Motociclista morre após colidir com poste de propaganda na PE-22.

  Ele teria se envolvido em um acidente com um carro e perdido controle.


  Acidente aconteceu próximo ao cruzamento com a Alameda Paulista.


Motociclista atingiu poste de metal de publicidade e faleceu. (Foto: Kety Marinho / TV Globo)
Motociclista atingiu poste de metal de publicidade e
faleceu. (Foto: Kety Marinho / TV Globo)
  Um motociclista morreu após colidir com um poste de propaganda na PE-22, próximo ao cruzamento com a Alameda Paulista, no município de Paulista, Região Metropolitana do Recife. O acidente aconteceu por volta das 6h30 desta quinta-feira (11). Uma equipe do Batalhão Rodoviário de Trâsito (BPRV) foi ao local acompanhar a ocorrência e auxiliar no fluxo do trânsito.
  A motocicleta estaria pela pista da esquerda, quando se envolveu em um acidente com um carro e acabou subindo o canteiro, atingindo o poste. Segundo o motorista do carro, que preferiu não se identificar, a motocicleta seguia pela pista da esquerda, próxima ao meio-fio, quando acabou guinando e batendo no carro, que freou. Uma equipe do Instituto de Medicina Legal foi encaminhada para o local.
Do: G1/PE.

No Janga, demolição de prédio ameçado será feita andar por andar

Bloco B1 do Conjunto Beira Mar será demolido. (Foto: Vitor Tavares / G1)Bloco B1 do Conjunto Beira Mar será demolido
(Foto: Vitor Tavares / G1)
   Os moradores do Conjunto Beira Mar, no bairro do Janga, em Paulista, Grande Recife, foram informados nesta sexta (11) sobre como será feita a demolição do bloco B, interditado com risco de desabamento desde 2004. A partir da próxima segunda-feira (14), a prefeitura do município irá iniciar um cadastramento dos moradores que moram num raio de 15 metros do edifício, para que sejam relocados quando o processo de demolição começar. Ainda não há data definida para o início da derrubada da estrutura.
  De acordo com engenheiro civil Wellington Martins, que fez a perícia a pedido da Justiça no bloco B, não há a possibilidade de o edifício, de 14 andares, ser recuperado,  devido ao avançado estágio de desgaste da estrutura. "Ele possui muitos vícios de construção, com pilares e vigas desalinhados, desaprumados, fazendo com que a estrutura esteja trabalhando forçadamente. Somado a isso, temos um solo muito frágil na região", comentou.
   O processo de demolição será feito andar por andar. Inicialmente, será preciso realizar um escoramento com uma estrutura metálica, para excluir os riscos de o edifício desmoronar. Em seguida, as paredes externas serão removidas, até sobrar apenas o esqueleto da estrutura — a demolição ocorrerá de cima para baixo. Ao final do processo, serão retiradas as estruturas da fundação do edifício.
Secretário e perito conversaram como moradores do Conjunto Beira Mar (Foto: Vitor Tavares / G1)
Secretário e perito conversaram como moradores do
Conjunto Beira Mar (Foto: Vitor Tavares / G1)
 Atualmente, dez blocos estão interditados no Conjunto Beira Mar. Nos três considerados mais críticos, analisados pelo perito Wellington Martins, apenas o B1 possui uma situação crítica de risco de desabar. "O mais importante é que essa situação do Beira Mar comece a ser resolvida judicialmente. E o B1 seria o exemplo para os outros. Só em prejuízo aos cofres da seguradoras, incluindo a Caixa Econômica, já se vão R$ 5,721 milhões", comentou o secretário de defesa civil de Paulista, Manoel Alencar. As duas seguradoras são a Caixa Econômica e a Sul América.
    A decisão judicial de demolir o edifício foi do juiz Otoniel Ferreira, da 1ª Vara Cível de Paulista, e saiu em 27 de setembro. Ele deu um prazo de 24 horas para início do processo de preparação para a demolição do prédio. De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), não houve movimentação judicial desde a decisão do magistrado. Nesta sexta, já podiam ser vistos no local tapumes isolando o prédio que será demolido. Presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Beira Mar, Janete Ferreira, foi a voz dos moradores durante a reunião desta sexta, quanto à preocupação sobre a demolição do Bloco B1. "A gente não aguenta mais viver nesse clima de apreensão, porque dá para ver claramente o risco que ele tem de cair", disse. De acordo com a perícia, o escoramento que será feito diminuirá os riscos de o prédio desabar. Após o início da derrubada, a previsão é de que o serviço seja concluído em um prazo de seis meses.
   O Bloco B1 foi interditado em 2004 pela Defesa Civil de Paulista após serem constatadas rachaduras na parede. Na ocasião, 309 famílias tiveram que sair correndo do edifício, que foi construído há 29 anos. Um delas era a de Ester Almeida, que até hoje recebe auxílio-moradia de R$ 438. "Desde quando a gente começou a morar no prédio que ele apresenta problemas. Antes de ser interditado, sentíamos ele tremer, sofríamos com inundações", comentou.
Do: G1/PE.

Moradores de Igarassu têm desconto de 100% em juros e multas no IPTU.

 Ação servirá para que população retire multas, parcele e negocie dívidas do imposto.


   Um desconto de 100% dos juros e multas no IPTU atrasado dos moradores de Igarassu será oferecido até o dia 31 deste mês. A campanha tem como foco a regularização do imposto na cidade, visto que cerca de 90% dos imóveis estão em débito com o tributo. A ação é promovida pela Prefeitura do município.
   Segundo a Prefeitura, a ação servirá para a retirada de multas, parcelamento e negociação das dívidas da população. Para isso, o proprietário precisa trazer os documentos que comprovem a existência do imóvel, como boletos de pagamento do IPTU antigos ou contas de luz, água, telefone, além da carteira de identidade.
   A campanha também será realizada nas escolas municipais com distribuição de panfletos e cartazes para as crianças colorirem. A intenção é de que o desenho ilustrado volte a cada residência conscientizando os moradores da importância da quitação do IPTU. Como forma de conscientização, todos os funcionários estarão vestidos com camisetas alusivas à campanha.
Serviço
Para negociar o IPTU: 
Balcão de atendimento da Secretaria Municipal da Receita
Das 7h às 13h

Da: Folha PE.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Garota de 14 anos é estuprada em Paulista.


  Uma adolescente de 14 anos foi estuprada por volta das 15h da terça-feira (8), quando chegava em casa, no bairro de Pau Amarelo, em Paulista. Segundo o pai da menina, o vendedor Solamir Lustosa, de 43 anos, a filha voltava de ônibus da casa da mãe, que mora no Janga, num percurso que já está acostumada a fazer, quando foi abordada por um homem. 

  “Ela disse que desceu no terminal de Pau Amarelo e quando entrou na rua Poseidon, um homem, relativamente jovem, desceu de um carro na cor prata, com vidro escuro, apontou uma arma e a obrigou a entrar no veículo, sentar no banco de trás e deitar”, contou Solamir. O estuprador levou a adolescente para um terreno baldio nas proximidades do bairro, onde violou a menina, que era virgem.

  “Ela disse que ele ameaçava matá-la e por isso procurava fazer o que ele mandava, mas não entrou em detalhes comigo. Ele deixou minha filha nas proximidades da PE-22, por volta das 17h20, e quando cheguei do trabalho, soube do que tinha acontecido e a levei na Delegacia de Paulista. Fizemos um Boletim de Ocorrência e depois fomos ao Hospital Agamenon Magalhães, onde tomou medicamentos contra doenças sexualmente transmissíveis e contra gravidez. Também fez coleta de material”, afirmou o pai. De lá, a adolescente ainda fez um exame sexológico no Instituto Médico Legal (IML). 

  “Hoje voltamos para a Delegacia de Paulista, onde ela iniciou um tratamento com uma psicóloga”, disse. Até agora, a vítima aparenta estar calma, segundo o pai, mas Solamir receia que ela esteja em estado de choque.

  A garota de 14 anos fez o retrato falado do criminoso. Ela o descreveu como um homem de pele morena, cabelo preto, cacheado e um pouco grande e usava roupas e bonés pretos. “Ela disse também que ela tinha uma tatuagem na perna. Minha filha perguntou quem seria a figura da tatuagem e ele disse que era a mãe”, contou. 

 A menina disse também que questionou o estuprador sobre a sua atitude. “Ele disse a ela que tinha visto um vídeo de sexo e deu vontade. E que não era primeira vez que ele fazia isso”, disse o pai.

Do: NE 10.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Detento é morto a tiros em Itapissuma.

  Vítima cumpria pena no regime semi-aberto. Homem que conversava com ele no momento do atentado também foi baleado, mas passa bem.


   Dois homens foram baleados na noite desta terça-feira (9), no Loteamento Novo Botafogo, localizado no distrito de Botafogo, município de Itapissuma, Região Metropolitana do Recife. Uma das vítimas morreu no local.

  José Bernardo da Silva, 44 anos, e um homem identificado apenas como Manoel estavam conversando quando dois homens em uma moto se aproximaram e efetuaram vários disparos. José Bernardo ainda tentou fugir, mas morreu alguns metros depois. Ele cumpria pena no regime semi-aberto e, inclusive, usava uma tornozeleira de segurança.

  Manoel levou um tiro no peito e foi encaminhado ao Hospital Miguel Arraes, em Paulista. Ele está consciente e disse que não conhecia os homens que efetuaram os disparos nem desconfia que motivos teriam levado ao atentado.

Do: JC Online.

Menino de 9 anos que levou um choque tem 70% do corpo queimado.

  Uma criança de 9 anos teve 70% do corpo queimado e corre risco de morrer após levar um choque elétrico na tarde desta quarta-feira (9), no bairro de Paratibe, em Paulista, Grande Recife. O garoto levou a descarga elétrica ao subir no muro da subestação da Celpe para resgatar uma pipa. De acordo com os bombeiros, ele teria sido arremessado a uma altura de 2,5 a 3 metros de altura.
  O garoto está internado no Hospital da Restauração, no Derby, e segundo a unidade infantil de queimados, a situação é grave. Ele está enfaixado do pescoço até os pés, recebendo medicamento contra a dor e possivelmente pode precisar de uma ventilação mecânica, equipamento que ajuda na respiração. 
 A Celpe confirmou por meio de nota que a criança levou a descarga elétrica e disse que a subestação obedece às normas de segurança previstas na legislação. "A unidade está devidamente sinalizada com placas advertindo para risco de morte e proibindo, expressamente, o acesso de pessoas não autorizadas", afirmou. 
Do: NE 10.

Professores municipais garantem bônus para a Bienal do Livro.

  Docentes vão ganhar R$ 480 para aquisição de livros durante o evento. Projeto foi aprovado na Câmara de Vereadores.

Bienal continua até o dia 13, no Centro de Convenções. Foto: Bernardo Dantas/ DP/D.A Press.
Bienal continua até o dia 13, no Centro de Convenções. Foto: Bernardo Dantas/ DP/D.A Press.

   Milhares de professores da rede municipal de ensino serão beneficiados na aquisição de livros ainda durante a 9ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, que continua até o dia 13 de outubro no Centro de Convenções, em Olinda. O plenário da Câmara de Vereadores do Recife aprovou, na tarde desta quarta-feira, o projeto de lei que institui a distribuição do bônus para os professores de escolas públicas da capital pernambucana. O projeto foi aprovado pela Comissão de Educação da Câmara, presidida pelo vereador André Régis. 

  O valor estipulado é de R$ 480. “O Recife pode dar uma demonstração de apreço à educação e ao conhecimento, através do compromisso com os educadores municipais, que contam com os bônus para comprar livros na Bienal”, diz o coordenador geral do evento, Rogério Robalinho. 

   Vários municípios têm concedido os bônus para seus docentes através de convênio firmado com a Cruz Vermelha da Paraíba. Entre eles, Ipojuca, Camaragibe, Itamaracá, São Lourenço da Mata, Moreno, Glória do Goitá, Feira Nova e Joaquim Nabuco.


Do: DP.

Adolescente fica ferido após troca de tiros com a polícia.

  Segundo a PM, o jovem vendia drogas em uma boca de fumo

 na Comunidade do Fosfato, em Abreu e Lima.


   Um adolescente ficou ferido após trocar tiros com a polícia na noite desta terça-feira (8), na Comunidade do Fosfato, em Abreu e Lima, Grande Recife. Há informações de que o jovem vendia drogas em uma boca de fumo da área.

   De acordo com informações da Polícia Militar (PM), o adolescente de 17 anos foi atingido por estilhaços de bala e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cruz de Rebouças, em Igarassu. De lá seguiu para o Hospital Miguel Arraes, no município de Paulista.

  O jovem passou por cirurgia para retirada dos estilhaços de bala e não corre risco de morte.

Do: JC Online.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Adolescentes no trânsito.


  
   Com a ausência de uma legislação mais rigorosa, os jovens seguem cometendo todo tipo de irregularidade no trânsito. 

   Esses dois adolescentes trafegam livremente de motocicleta pela PE 15 em Paulista, sem habilitação e sem capacete. Por onde anda a fiscalização?  

Do: Fernando Melo – Igarassu / PE.

Café Literário.


  A Academia Igarassuense de Cultura e Letras estará realizando no dia 26 de outubro de 2013, um Café Literário em homenagem ao Centenário de nascimento do poeta, escritor, compositor e jornalista Vinicius de Morais. 

   Na ocasião acontecerá apresentação musical, exposição, declamações e o lançamento do livro de poesias infanto-juvenil "Uma vaca na lua" de autoria da professora Xanda Guedes. 

  Essa encontro será realizado na CASA DO PATRIMÔNIO DE IGARASSU - Sobrado do Imperador, com inicio as 19h.

Do: Fernando Melo.

O que está acontecendo nesta ilha?

  Passei por Jaguaribe (coitado deste bairro abandonado!) e vi estes prédios novos aparecendo NA AREIA DA PRAIA!!!!!

  Estas são as palavras de um leitor nosso que ficou revoltado com esta situação, enquanto temos um projeto de requalificação da nossa orla que não sai do papel, algumas pessoas se aproveitam da morosidade e ineficiência de nossos governantes, para construir bares e residências, na Praia de Jaguaribe, aumentando a favelização de uma das mais belas praias de nosso litoral. Como a prefeitura local pode permitir isto?, estamos "ao Deus dará"? 

  O engraçado é que quando estamos construindo uma residência para nossa moradia, no outro dia chegam os fiscais da prefeitura para quererem paralisar a obra e cadê os fiscais da prefeitura nessas horas? será que por se tratar de terras de Marinha a nossa prefeitura não pode se quer acionar a Capitânia dos Portos?.

Do: Itamaracá em foco.

domingo, 6 de outubro de 2013

Câmara de Igarassu resgasta a história enquanto se adequa a Lei da Transparência.



  A decisão de cumprir a Lei de Acesso à Informação tem levado uma das casas  legislativas mais antigas do Brasil a preservar o passado. Desde o início do ano, a Câmara de Vereadores de Igarassu trabalha para catalogar e digitalizar todos os documentos relacionados à administração pública da cidade. Um baú de história começa a ser aberto com papéis amarelados que levam ao século 16. “Implantamos o SAPL (Sistema de Apoio ao Processo Legislativo) este ano e tudo o que produzimos hoje é lançado, automaticamente, na rede. Mas modernidade não é desculpa para esquecer o passado”, disse o presidente da Câmara, vereador Ademar de Barros (PDT).

 O processo foi dividido por etapas e, neste primeiro momento, livros de leis, atas, transcrições e documentos semelhantes têm sido limpos e organizados por grupos, de acordo com datas. Tal missão coube à bibliotecária Izabela Nóbrega e ao atual guardião do arquivo, Everaldo Félix, um servidor com 28 anos de Casa. O livro mais antigo sobre o qual eles se debruçaram até agora data de 1928. É uma coletânea de atas, cujo primeiro registro é o detalhamento orçamentário da prefeitura naquele ano. “Ainda vamos abrir muitos outros, ver coisas mais antigas. É um trabalho demorado, mas importante porque resgata a história não apenas de Igarassu, mas de várias cidades que antes faziam parte da nossa”, acrescentou a bibliotecária.

  Ela cita como exemplos Araçoiaba, Itapissuma e Itamaracá. “Tenho aqui uma lei de 1938 delimitando os perímetros urbanos e suburbanos dessas três localidades, na época em que Itamaracá ainda era Vila Pilar, e Araçoiaba, Chã de Estevan”, citou Izabela Nóbrega. Outro papel encontrado é a autorização para se contratar colocação de luz elétrica na mesma Vila Pilar. Esse de 24 de abril de 1930. No século 18, Igarassu compreendia terras que hoje correspondem a vários municípios pernambucanos, entre eles Limoeiro e Taquaritinga do Norte. A expectativa é encontrar, também, informações referentes a eles.

Câmara de Igarassu é uma das mais antigas Casas legislativas do Brasil (Julio Jacobina/DP/D.A.Press )
Câmara de Igarassu é uma das mais antigas Casas legislativas do Brasil

  Documentos que trazem aspectos curiosos de Igarassu, como o decreto que restitui a Santo Antônio o título de vereador perpétuo da cidade, em 1951, honraria concedida pelo rei de Portugal Dom João I, em 1754, estão na fila para serem digitalizados. “O mais importante desse trabalho é que ele poupa essa documentação de se deteriorar, inclusive com manuseios sem cuidado e idas e vindas que possam ocorrer na Câmara. Depois desse resgate, poderemos encontrar coisas mais pitorescas e importantes, a partir de leituras com calma”, ressaltou o historiador do município, professor Jorge Barreto.

  Ele comenta que as leis mais antigas da freguesia dos Santos Cosme e Damião, como era conhecida Igarassu em seus primeiros anos de vida, estão arquivadas no museu da cidade. São escritos do 2º Livro de Tombos da Vila de Igarassu, do ano de 1782. São os primeiros documentos da localidade, que este ano completou 478 anos no dia 27 de setembro. “Foram transcritos nesses papéis outros livros e documentos ainda mais antigos que, à época, estavam em situações mais precárias”, explicou Barreto. Um dos principais registros dele são as delimitações urbanas, normatizações e planos diretores do século 17. A digitalização dos arquivos do museu, assim como os que estão na prefeitura, está prevista para ser feita pela Câmara, assim que todos os papéis da Casa Legislativa estiverem na rede.


Reivindicações de hoje são as mesmas de 200 anos atrás


Historiador diz que cobranças por mais verbas no legislativo é antiga (Julio Jacobina/DP/D.A.Press )
Historiador diz que cobranças por mais verbas no legislativo é antiga

  As reclamações sobre diminuição nos repasses para o Legislativo de Igarassu poderiam ser uma notícia de hoje, não fosse a data no topo das páginas que remete há mais de duzentos anos. “Há documentos com vereadores se queixando da queda nos recursos da Câmara desde século 18. Muito desses cortes ocorreram por causa das emancipações. Igarassu abrangia grande parte das terras da Zona da Mata Norte”, contou o historiador Jorge Barreto. Na época, a Casa tinha sete vereadores, praticamente todos senhores de engenho. Atualmente conta com 14, incluindo o Santo Antônio, que tem mandato perpétuo.

  O professor comenta que essa falta de verba pesa quando se fala na preservação das casas legislativas, “um problema que se repete na maioria dos prédios públicos sejam onde forem”. Na Câmara de Igarassu, por exemplo, até o início deste ano, todos os documentos, inclusive os mais antigos, eram guardados em caixas, sendo muitos papéis presos com grampos de ferro, em local abafado. “Este ano consegui climatizar o arquivo. Não foi fácil porque é um prédio tombado, tem uma série de regras”, comentou, orgulhoso, o presidente da Câmara, Ademar de Barros (PDT). 

 Porém, em se tratando de um município de 478 anos, um dos maiores obstáculos para o resgate dos documentos administrativos está em um passado marcado por dois desastres. “Em 1632, os holandeses incendiaram a cidade e muito do que estava na Câmara se perdeu. Depois, em 1950, teve uma grande enchente e a Casa Legislativa funcionava na parte baixa da cidade, ficando completamente inundada”, relatou Barreto. 

 Ele afirma que, no último episódio, grande parte do acervo só pôde ser salva porque o avô dele, Guilherme Jorge Paes Barreto, que também foi vereador na década de 1950, costumava guardar cópias de tudo o que se produzia em termos de leis. “Quando Ademar (de Barros) presidiu a Câmara em 1996, ele me pediu para fazer cópias dessas cópias do meu avô e elas foram devolvidas ao Legislativo”, completou.

 Alguns documentos encontrados
 (Julio Jacobina/DP/D.A.Press)

- Livro de Beneficência do Município de Igarassu com nomeações e doações iniciado em 4 de outubro de 1942.

- Reclamação sobre má qualidade do transporte público na cidade feita por um vereador em plenário no ano de 1962. Eram reportados atraso nos ônibus, falta de transporte após às 22h e superlotação (venda de mais passagens do que cadeiras presente no ônibus).

- Lei proibindo construção de telhados de palha ou capim no perímetro urbano e principais avenidas da cidade, vilas e povoados. “Somente em caso de notória pobreza com atestado da polícia, concederá prorrogação do prazo que não excederá seis meses”. Multa de Cr$ 100,00. O texto é de 7 de março de 1951.

- Documento escrito em  12 de maio de 1938, delimitando as zonas urbanas e suburbanas de Igarassu, Itapissuma, Chan de Estevan (Araçoiaba) e Vila do Pilar (Itamaracá). 

- Decreto reincidido contrato para colocação de iluminação elétrica na Vila do Pilar (Itamaracá) em abril de 1930.

- Decreto de 1 de novembro de 1951 restituindo a honraria do título de vereador a perpétuo a Santo Antônio, colocação da imagem dele no plenário e subsídio anual de Cr$ 500 destinado ao Pão dos Pobres (distribuído anualmente no convento de Santo Antônio).

Do: Pernambuco.com.

O descaso tem vista para o mar.

  Chegada do verão expõe novos e velhos problemas da costa 

pernambucana.


   O mar azul e de águas quentes, a areia branca e os altos coqueiros não compõem sozinhos o cenário dos 187 km de extensão da costa pernambucana. A natureza privilegiada divide o palmo de terra com desordem urbana, lixo, obras inacabadas, estradas esburacadas, esgoto a céu aberto, falta d’água, insegurança e ausência de fiscalização. Ao longo dos últimos dias, visitamos as principais praias do Estado. O passeio rendeu uma certeza: os turistas e veranistas que procurarem esses destinos turísticos no verão encontrarão algo além do paraíso. Problemas que se repetem ano após ano e que dão as caras no abandonado Litoral Norte e no badalado Litoral Sul.

  Menina dos olhos do governo, estimulado pelo Complexo Industrial Portuário de Suape e palco do pedágio do Paiva, acesso irretocável ao eldorado litorâneo que abriga supercasas e câmeras de segurança, o Litoral Sul está longe de ser só flores.

  Enquanto a nova rota, com uma ponte de 320 metros e uma via de 6,2 km, é capaz de reduzir o trajeto a Suape e arredores em até 17 km, a PE-60 é caminho certo de dor de cabeça. Quase sempre engarrafada, com longos congestionamentos nos horários de pico e em finais de semana e feriados, a estrada sofre com os buracos.


  As praias do Cabo de Santo Agostinho são o primeiro ponto de parada. E de transtornos. O turista mais desavisado pode se embaralhar na ida a Gaibu, uma vez que duas placas indicativas estavam tortas, impedindo a visão dos motoristas. A PE-28 é margeada por um canal com esgoto a céu aberto, sem nenhuma mureta de proteção. Veículos costumam cair no local, sobretudo ao tentar desviar das crateras na pista, que em alguns trechos vira barro puro. O comércio irregular invade as ruas e calçadas centrais.

  Ao chegar à praia, a beleza do encontro das falésias com o mar de Gaibu contrasta com o descaso: orelhão quebrado, calçadas arrancadas, bancos destruídos e lixo espalhado. “É muito problema de infraestrutura e, para completar, não tem um banheiro público. O pessoal tem que ir nas pousadas ou fazer no mar mesmo”, diz o comerciante Valdir Reis, 64 anos. Na areia, uma multidão se amontoa ao redor do corpo de um rapaz de São Joaquim do Monte, no Agreste, que morrera afogado. Nenhum bombeiro foi visto.

  Em Enseada dos Corais, as vias são precárias. Mesmo na estação mais quente do ano, as chuvas escassas são capazes de produzir estrago. Poças gigantes de lama tomam as ruas de barro, ilhando casas, fechando passagens e sendo foco de doenças.

  Itapuama é lixo por toda parte. Nem mesmo a presença de reservatórios de coleta seletiva dá jeito na falta de educação dos banhistas. A favelização é crescente lá e em outras praias do Litoral Sul. “Está cheio de invasão aqui. E também falta saneamento”, reclama o bodyboarder Helmiton Paiva, 31. Um canal jorra água poluída no mar, e motoristas estacionam seus carros nas calçadas.

 O que mais preocupa nas praias do Cabo, no entanto, é a violência. O crescimento desordenado e a demanda proveniente dos quase 50 mil trabalhadores envolvidos em Suape fizeram a insegurança emergir. “Outro dia, eu estava caminhando às 5h e levaram meu relógio e telefone celular. Soube depois que o mesmo grupo tinha feito um arrastão numa pousada”, conta o microempresário Nicodemos Silva, 44, morador de Gaibu. Os roubos a casas de veraneio são comuns. Algumas vezes, até com reféns.

  Reputada como principal praia do Estado, Porto de Galinhas, em Ipojuca, encanta e convida pelas piscinas naturais com águas cristalinas e diversificada rede hoteleira. Mas os problemas são muitos. Porto parece estar eternamente em obras. Há sempre ruas interditadas, entulhos e desvios pela vila, o que complica a vida dos turistas.

  A Rua Recanto, com muito barro e paralelepípedos arrancados, está quase intransitável. Na via que vai dar na Praça do Relógio, uma placa avisa: “Desculpem-nos os transtornos. Estamos em obras”. Poucos metros adiante, outro cartaz: “Proibido jogar lixo”. A sujeira acumulada dava o tom do desrespeito.

 Os problemas persistem na beira-mar e na faixa de areia. Os banheiros públicos situados perto do antigo posto médico se encontram em estado deplorável. A grade, enferrujada e solta, está amarrada por um pedaço de saco plástico e ameaça cair. Uma das portas de madeira está carcomida quase pela metade, oferecendo privacidade zero. Além disso, falta água nas torneiras e na descarga. Funcionários precisam ficar de plantão com baldes para evitar o mau cheiro. “É o paraíso, a praia mais linda do Brasil, mas a infraestrutura ainda deixa a desejar”, afirma o vendedor Severino Dias, 52.

 Defronte dali, uma placa de atenção está arrancada. Bem perto, jovens jogam futebol na areia, ignorando outra placa que proíbe a prática de esportes. A poluição sonora, com o vaivém de carrinhos vendendo CDs piratas, é problema constante.

 Maracaípe vivencia a proliferação de favelas. Os casebres formaram uma extensa comunidade com ruas estreitas de barro, sem acesso ao mar, e com alguns barracos invadindo até áreas de manguezal. A estrada para o pontal foi destruída por conta do avanço do mar, obrigando os veículos a estacionar no meio do caminho, alguns em área proibida, numa rota repleta de lixo e entulhos.

ABANDONO - No Litoral Norte, o abandono toma banho de mar. Sem o mesmo marketing e incentivo das praias do Litoral Sul, a beleza natural de Itamaracá e municípios da região convive com uma série de problemas. Em Jaguaribe, o maior dos absurdos: a faixa de areia está repleta de invasões. De estabelecimentos comerciais a barracos de veraneio, sob a passividade do poder público.

   A favelização da beira-mar revolta os moradores. Hoje, a janela já não oferta mais a visão privilegiada de anos atrás. Os casebres, uns de madeira, outros de alvenaria, são obstáculos que crescem a cada dia. “Isso é tudo irregular. É a favela de Itamaracá. E nem tudo é casa de pescador, viu? Muitas dessas invasões são casas de veraneio, que passam de mão em mão. Jaguaribe está uma nojeira”, esbravejou um morador. 

  A reportagem flagrou carros de luxo e motos circulando pela areia sem qualquer fiscalização. Cavalos são tangidos no local. Estacionamentos obstruídos, bancos quebrados e um calçadão com as pedras portuguesas dilaceradas completam o cenário. “Itamaracá é uma praia esquecida. Tem muita coisa para melhorar, mas o governo só investe no Litoral Sul”, critica a comerciante Rosa Soledade, 52 anos, que também se queixa dos assaltos, sobretudo à noite.

  O Pilar também convive com a ocupação desordenada. O esgoto a céu aberto é lançado no mar onde crianças se banham indiscriminadamente. “Isso está assim faz muito tempo. Ninguém resolve”, diz o pedreiro Sinésio Manoel do Nascimento, 63. O homem conta que, quando escurece, o tráfico e o consumo de drogas correm soltos. Terrenos baldios viram depósitos de lixo. O Forte Orange reabriu as portas em novembro do ano passado e deu mais vida à Praia do Forte, a mais ordenada de Itamaracá. Os repentistas Boca do Norte e Geraldo João, contudo, lamentam a falta de turistas.

Do: JC Online.

Entre o lixo das ruas e a vida pública.


  Gilmar Monteiro, o Índio do Manguzá, exerce a profissão de gari em Pedra de Fogo e também é vereador em Itambé.

 (Benda Souto Maior/DP/D.A.Press)
   
  O gari Gilmar Monteiro da Silva, 37 anos, acorda quando o céu ainda está escuro e frio, toma um copo de água, come um pedaço de cuscuz e veste um uniforme amarelo e azul para a labuta. Às 5h30, com os raios de sol ainda tímidos, ele já está em Pedra de Fogo, município do interior da Paraíba, pronto para limpar a sujeira nas ruas deixada por outros. Porém uma vez por semana, nas quartas-feiras à noite, o guarda-roupa de Gilmar muda radicalmente. 
   Por volta das 18h30, ele veste um paletó preto que comprou no início deste ano e vai para a sessão da Câmara Municipal de Itambé, na Mata Norte de Pernambuco, onde exerce o mandato de vereador pela primeira vez. Conhecido como Índio do Manguzá, Gilmar tem duas vidas entre as cidades irmãs de Pernambuco e Paraíba. E em ambas, ele quebra rótulos e preconceitos. Num país de tantos funcionários fantasmas, ele se divide em dois para trabalhar e defende mudanças para a política de Itambé na mesma velocidade que tenta varrer as ruas de Pedra de Fogo. 
   Essa não é uma história comum de ascensão social. É a de um homem que é gari, apesar de ser vereador, e conseguiu ser exceção à tese de invisibilidade pública apresentada pelo psicólogo social Fernando Braga, em 2008, na Universidade de São Paulo. Se a tese apontava a facilidade das pessoas que não têm qualificação técnica ou acadêmica de ficarem invisíveis, Índio do Manguzá, como gosta de ser chamado, não faz parte dela. Está fora dos padrões.


   O vereador-gari nunca teve uma vida fácil. Até os 17 anos, morava em Pedra de Fogo e trabalhava com o pai, José Monteiro da Silva, falecido no ano passado. Foi agricultor, pintor, cortador de cana e tantas coisas mais que perde as contas. Fazia qualquer biscate que pudesse trazer comida para casa e ajudar a alimentar os irmãos, nove ao todo. Chegava a passar de 15 a 20 dias com o pai, seu maior exemplo de vida, nas plantações da mata de Salamago e do Rio. 

   O trabalho árduo, contudo, nem sempre foi suficiente. Para sobreviver, como tantos Silvas nesse Brasil, sentiu-se muitas vezes excluído e humilhado por dormir em cama de vara e passar fome. Índio perdeu quase todos os dentes comendo farinha com mel, mas conseguiu um corpo robusto e forte, pronto para a dureza da vida. Esse alimento básico, recebido na escola, principalmente, o ajudou a concluir o ensino fundamental. 


    Inspirado nos conselhos do pai, a vida melhorou quando Índio começou a dar um sentido a sua dor, a dividir o pouco que tinha cada vez mais. Em 2004, com apoio de amigos em Itambé, iniciou um trabalho social, distribuindo munguzá aos sábados na comunidade do Maracujá, onde mora até hoje. Dois anos depois, Índio passou num concurso público de gari, em Pedra de Fogo, com uma nota de 7,5, e começou a ganhar cerca de R$ 1 mil. O dinheiro não se multiplicou porque ele sempre procurou ajudar os vizinhos. Mas os amigos sim, estes cresceram.

 (Blenda Souto Maior)

   “Minha situação foi diferente daquele (psicólogo) que disse que o gari era invisível. O gari ou qualquer outra pessoa, só é invisível quando é egoísta. Só é invisível quando olha para si próprio. O fator diferencial da minha história é o seguinte: ‘se eu tiver um pacote de fubá, eu vou dividir com aquele que está passando necessidade’”, afirmou, com os olhos vermelhos e marejados.


    A preocupação com o outro levou o gari a tentar um mandato político em 2012. O estopim teria sido quando ele estava numa das comunidades de Itambé, viu crianças comendo barro e, pouco depois, encontrou uma família que não se alimentava desde o início da manhã. “A comunidade que eu ajudava dizia: ‘Índio, sai candidato. Você sem ter nada faz, imagine se for vereador’”, lembrou, reproduzindo as palavras de uma conhecida. Tais palavras foram sendo trabalhadas com um conselho aqui, outro acolá e resultaram numa vitória nas urnas de Itambé com 789 votos. Ele foi o sexto mais votado do município e tem muitas histórias para contar.  


A família, as doações e as dívidas

   Índio Manguzá não se rendeu ao jeito de sobreviver tão criticado pela escritora Lya Luf. Aquele que evita comer o lixo concreto, mas engole o lixo moral, fingindo que está tudo bem. Casado há 15 anos com a mesma mulher, Fernanda Maria da Conceição, 36, o gari que é vereador nunca se acomodou com o lixo moral. Ainda tem vergonha da pobreza que vive com a esposa e quatro filhos, mas tem juntado o salário de vereador, cerca de R$ 3 mil, com o de gari, aproximadamente R$ 1 mil, para ajudar à comunidade e, vez ou outra, comprar um móvel para a casa, um lugar muito humilde.

   Os adversários e aliados dizem que ele está mergulhado em dívidas, porque comprou um carro, um Strada cinza, ano 2010, e tem feito muitas festas para a comunidade, o que não seria papel do vereador. No Dia das Mães, por exemplo, Índio encomendou um bolo de 30 quilos e deu vários tipos de presentes às mulheres do bairro do Maracujá. Antes, já tinha doado 52 kits escolares e comprado 600 ovos de páscoa para as crianças, além de levar e trazer moradores de Itambé para hospitais do Recife ou de João Pessoa.



   Apesar dos gastos vistos como excêntricos, a vida social de Índio ainda contrasta com a vida pessoal. A residência dele tem dois quartos sem portas, paredes verde e rosa gastas, móveis esmaecidos. Os quartos mal iluminados são isolados de uma pequena cozinha por lençóis coloridos e o guarda-roupa onde pendura o paletó está com a porta quebrada. 

  Na sala, os dois filhos menores dormem num beliche, separados do sofá com uma cortina vermelha. “Eu nunca vi um vereador fazer o que ele fez”, conta a mãe, Maria Ivete Marcolino, 66 anos. “Reclamam tanto que ele comprou esse carro, mas ele vive levando as pessoas para o hospital”, protesta. 


   Para contestar as queixas de assistencialismo, Índio diz que também fiscaliza o poder público, sua verdadeira função. Conta que reclama quando não vê as obras prontas e já vem recebendo crítica dos aliados por tantas cobranças. “Eu também sou fiscal e tenho projetos aprovados. Não ajudo as pessoas de agora. Isso ninguém pode falar de mim”, arrematou, com a voz embargada.


A câmara e as ruas





   “Eu vou entrar para a história política desse país como varredor de rua, como primário… Eu me orgulho porque respeito o ser humano. Isso não tem preço. Com ou sem paletó, a roupa não importa ”, Índio do Manguzá 

   “É muito bom que ele tenha se elegido porque ainda existe muito preconceito em relação aos garis, mas isso está mudando. É uma vitória”, Elço Pereira, chefe de divisão de limpeza urbana de Pedra de Fogo

    É visível o preconceito que Índio do Manguzá ainda sofre entre os colegas de Câmara, 11 ao todo, contando com ele. Especialmente pelo fato de ele ainda trabalhar como gari em Pedra de Fogo. “Ele só vai ter esse mandato, porque ninguém aguenta ficar nessa rotina”, disse um vereador, pedindo reserva no nome. Já o presidente da Câmara, Edvaldo do Caricé (PSB), procurou amenizar.

   “Ele tem vontade de acertar, mas, muitas vezes, é precipitado. Muitas vezes quer dar um passo maior que as pernas. Muitas vezes, ele chega aqui brabo, querendo resolver as coisas, mas não é assim”, acrescentou, sem querer contar que passo tão grande era esse pretendido por Índio. “O que posso dizer é que ele tem o mesmo direito de todos e merece crescer na vida”. 

    Entre os garis, contudo, a presença de Índio do Manguzá serve como uma inspiração. Segundo Elço Pereira, 35 anos, chefe de divisão de limpeza urbana de Pedra de Fogo, ele continua fazendo o mesmo trabalho de antes, mesmo depois de se eleger. “É muito bom que ele tenha se elegido porque ainda existe muito preconceito em relação aos garis, mas isso está mudando. É uma vitória”, afirmou. “Ele realmente é uma pessoa do bem”, acrescentou o gari José Flávio, 24 anos, companheiro de Índio nas faxinas matinais.

     Para Índio, que enche os olhos de lágrimas ao contar sua trajetória, é mais fácil limpar as ruas do que mudar a política. “Mesmo assim, eu vou fazer a minha parte. Eu vou entrar para a história política desse país como varredor de rua, como primário… Eu me orgulho porque respeito o ser humano. Isso não tem preço. Com ou sem paletó, a roupa não importa ”, prometeu.



 (Blenda Souto Maior)


Do: Pernambuco.com.

sábado, 5 de outubro de 2013

Internet vira espaço aberto para o crime.

  Falta agilidade na investigação e na consequente punição aos criminosos do espaço cibernético.


  As redes sociais viraram uma “feira livre” para a prática desenfreada de crimes. Venda de drogas, armas, anabolizantes, medicamentos abortivos, pornografia infantil. E o que dizer da troca de bebês por dinheiro? Em páginas do Facebook, por exemplo, se tornou comum encontrar “serviços” como esses oferecidos aos usuários. A Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos contabilizou, em 2012, mais de 11 mil denúncias. Enquanto isso, faltam meios que garantam a identificação e consequente punição dos responsáveis. 

 Especialistas ouvidos pelo Diário apontaram como principal entrave a falta de lei que obrigue os servidores de internet a permanecerem por mais tempo com o registro de informações dos usuários. Em Pernambuco, a Polícia Civil também caminha a passos lentos na implementação de uma delegacia especializada no combate aos crimes cibernéticos.

 O procurador de Justiça José Lopes de Oliveira Filho reconheceu a falta de mecanismos para diminuir a proliferação do mercado criminoso nas redes sociais. “Não há estrutura de rastreamento da origem das informações. É uma vergonha, mas é a realidade. Muitas vezes não conseguimos identificar de onde partiu o crime”, afirmou. Outra dificuldade, segundo ele, acontece porque cerca de 95% dos delitos registrados na internet envolvem pessoas de mais de um estado. “Pernambuco ainda não tem delegacia nem uma promotoria especializada para agir com mais eficiência nos casos.” 



  No mês passado, uma criança de dois anos em Jaboatão dos Guararapes quase foi vendida pelos pais no Facebook. O caso só foi descoberto porque uma paraibana que se passou por interessada na compra da menina armou um flagrante e denunciou à polícia. Em julho, o Ministério Público identificou um grupo na rede social em que recifenses negociavam a venda de bebês e acionou a polícia para investigar a denúncia. 

   Na avaliação do procurador da República Luiz Vicente Neto, um dos principais problemas que pode garantir a impunidade os criminosos é o atraso para o início das investigações. Ele também criticou a demora no processo de coleta de informações dos provedores. “Por serem dados sigilosos, em regra, temos que requerer a quebra do sigilo à Justiça. O processo é lento”, disse. 

  Para o delegado Leonardo Gama, que comandará a delegacia de combate aos crimes cibernéticos no estado, é necessário a criação de lei federal que determine por quanto tempo os servidores permanecerão com o registro dos usuários.

  “Sem essas informações, não temos para onde ir, e a investigação é interrompida. Não é um crime fácil.” Gama contou que ainda haverá seleção de policiais para a delegacia, e que eles devem passar por treinamento em outros estados. A aquisição de equipamentos para esse tipo de investigação também passará por licitação. 

 Apesar do avanço do mercado ilegal nas redes sociais, as postagens de preconceito são as que estão no topo da lista de crimes registrados no Facebook. Foram mais de 5 mil páginas encontradas por usuários e encaminhadas à Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos no ano passado. 

  No Twitter não é diferente. Quem não se lembra da frase postada pela então estudante de direito Mayara Petruso após a vitória da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2010? “Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”. Ela foi condenada pela Justiça a um ano e cinco meses de prisão. 

Preconceito lidera ranking

  O procurador de Justiça José Lopes de Oliveira Filho, que está produzindo um projeto de doutorado sobre os crimes cibernéticos, realizou levantamento que apontou os casos de injúria, difamação e calúnia como os mais frequentes entre os usuários de internet. 

  O que mais causou preocupação para ele foi o fato de uma faixa etária entre 15 e 27 anos estar divulgando nas redes sociais imagens eróticas, muitas vezes falsas, de pessoas próximas, com o objetivo de denegri-las. “É preciso uma abordagem psicossocial para mostrar, principalmente aos adolescentes, que implicações essas imagens podem acarretar perante a lei”, disse o procurador. 

  Em segundo lugar na lista da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos está a pornografia infantil, com quase duas mil páginas no Facebook. O procurador da República Luiz Vicente Neto informou que esse é o crime mais comum registrado nas redes sociais pelo Ministério Público Federal em Pernambuco. 

  O responsável pode ser autuado com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê pena de até seis anos de detenção e multa, por oferecer, trocar, disponibilizar, publicar ou divulgar fotografia ou vídeo que contenha cena de sexo ou pornográfica com menores de 18 anos. 

  No primeiro semestre deste ano, a Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente investigou um grupo fechado no Facebook que postava fotos de estudantes de oito escolas de classe média do Recife que apareciam nuas. Setenta adolescentes, apontados como os responsáveis pela divulgação das imagens, estão respondendo pelo ato infracional perante a Justiça.



Alguns crimes nas redes sociais



Venda de crianças

  Bebês eram vendidos por R$ 6 mil a R$ 10 mil no grupo Quero doar. Quero adotar Seu bebê-recife PE (sic), do Facebook. Após investigação da polícia, o Ministério Público pediu a retirada da página do ar. Outras, em vários estados brasileiros, são investigadas. Criminosos podem ser indiciados por vários crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente 

Venda e troca de armas 

  O grupo Troca e Venda de Armas, no Facebook, foi criado há cerca de um ano, e o conteúdo é restrito aos usuários que fazem parte dele. Há dez usuários atualmente. A pena para o porte ou venda de armas, previsto no Código Penal Brasileiro, é de até três anos de detenção, além de multa arbitrada pela Justiça

Venda de anabolizantes 

  A fan page Anabolizantes SA possui mais de 1,3 mil curtidas. É destinada aos usuários que queiram vender ou comprar produtos ilegais para crescimento rápido dos músculos, sem medir os efeitos colaterais, como doenças cardíacas e agressividade. A venda, considerada um crime contra a saúde pública, portanto hediondo, pode resultar em pena de até 15 anos de prisão


Venda de medicamentos abortivos

 A fan page Citotec deixa uma mensagem clara: “Gravidez indesejada tenho a solução entrega em todo o Brasil (sic)”. A venda do medicamento abortivo Citotec é proibida pela Anvisa, mas no Facebook e no YouTube há inúmeras páginas e vídeos com esse conteúdo. A pena de crime contra a saúde pública pode chegar a 15 anos de prisão e multa.


Crimes no Facebook denunciados em 2012 (Brasil) 

- 11.305 endereços denunciados
- 5.021 páginas com conteúdo racista
- 1.969 páginas com pornografia infantil
- 1.513 páginas com apologia e incitação a crimes contra a vida
- 697 páginas com maus-tratos contra animais
- 635 páginas com conteúdo homofóbico
- 494 páginas de intolerância religiosa
- 376 páginas com conteúdo xenófobo
- 233 páginas relacionadas a tráfico de pessoas
- 186 páginas com conteúdo neonazista
- 181 páginas de genocídio


Fonte: Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernético.

Do: DP.